Tire aqui suas dúvidas sobre o coronaví­rus de 2019!

Os coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias em humanos e também em animais. Os coronavírus são a segunda principal causa do resfriado comum, após o rinovírus. Há sete tipos de coronavírus conhecidos por infectarem humanos, dentre eles o SARS-CoV (causador da Síndrome Respiratória Aguda Grave ou SARS) e o MERS-CoV (causador da Síndrome Respiratória do Oriente Médio ou MERS).

O novo coronavírus (SARS-CoV-2), descoberto em dezembro de 2019, faz parte de uma nova cepa de coronavírus que ainda não havia sido identificado em humanos. O SARS-CoV-2 causa a doença que foi oficialmente chamada de Covid-19 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O nome é um acrônimo do termo “doença por corona vírus” – em inglês Coronavirus disease 2019.

Os sintomas relatados por pacientes com Covid-19 incluem doença respiratória leve a grave. Os mais comuns são febre, tosse seca e cansaço. Alguns pacientes podem ter ainda dores, congestão nasal, dor de cabeça, conjuntivite, dor de garganta, diarréia, perda de paladar ou olfato ou erupção cutânea na pele ou descoloração dos dedos das mãos ou dos pés. Em geral, esses sintomas são leves e começam gradualmente. 

No momento, estão sendo aplicadas duass estratégias. O uso de testes moleculares, especialmente o RT-PCR, para medir a infecção aguda, detecta material genético do vírus e, portanto, pode dizer se a pessoa está atualmente infectada pelo covid-19. Este exame pode não detectar os casos leves e tem sido feito em paciente sintomáticos. Outro tipo são os testes sorológicos, que medem a resposta do anticorpo em um indivíduo. Os anticorpos são produzidos durante dias até semanas após a infecção pelo vírus, e indicam se a pessoa teve uma infecção recente (pelo índice do IgM) ou passada (pelo índice do IgG). A sorologia tem sido aplicada em pessoas que tiveram contato com outros que foram contaminados pela covid-19, mas estão assintomáticas. Esse exame não deve ser usado para diagnosticar a infecção aguda. Consulte sempre seu médico para saber se deve fazer o teste e de qual tipo. 

Atualmente, não existe vacina disponível contra o coronavírus 2019. Por isso, a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é para que medidas gerais de prevenção sejam adotadas no dia a dia. As duas principais medidas, essenciais para diminuir a velocidade da transmissão, são o “distanciamento social” e os cuidados pessoais.

Cuidados pessoais: Lave as mãos com água e sabão frequentemente, principalmente ao chegar de ambientes públicos e antes de consumir alimentos. Você precisa lavar cada dedo, inclusive o polegar. Lembre também de lavar a ponta dos dedos e os espaços entre os dedos. O álcool em gel com pelo menos 70% de álcool pode ser uma opção quando não houver água e sabão disponíveis. Ao tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com o cotovelo flexionado ou com um lenço descartável. Evite tocar nos olhos, nariz e boca. Mantenha os ambientes bem ventilados. Evite o contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença. Fique em casa quando estiver doente.

Distanciamento social: Essa é a medida do momento. Como as pessoas sem sintomas também transmitem o vírus, precisamos nos afastar mesmo se estivermos bem de saúde. Todos precisam diminuir a quantidade de pessoas com quem tem contato. Trabalhe em casa se puder. Apesar da reabertura das atividades, a recomendação é evitar aglomerações em shoppings e lojas comerciais e evite fazer festas e reuniões sociais, respeitando o distanciamento. Também recomenda-se evitar o uso do transporte coletivo nos horários de pico. Fique em casa o máximo de tempo possível. E, em casa, os objetos de uso comum devem ser limpos cuidadosamente.

Até o momento, não existe nenhum medicamento específico para prevenir ou tratar o novo coronavírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que, apesar de pesquisa recente ter mostrado resultados promissores no do uso do corticóide dexametasona, isso foi ocorreu apenas em pacientes com caso severo. O medicamento que não deve ser usado para prevenção, e mesmo em caso de tratamento, é necessário rigoroso acompanhamento médico e se aplica, no momento, apenas para casos mais severos e críticos. No caso da hidroxicloroquina e cloroquina, a OMS interrompeu pesquisa realizada em parceria com um consórcio internacional depois que os estudos mostraram não haver redução na mortalidade de pessoas hospitalizadas com Covid-19, comparadas a quem estava sendo tratado sem o uso do medicamento. A OMS disse, ainda, que essa interrupção não se aplica ao uso ou avaliação da hidroxicloroquina na profilaxia pré ou pós-exposição em pacientes expostos ao Covid-19.  Ver Novas respostas sobre o coronavírus.

O uso de máscaras é uma medida de prevenção recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e sua adoção é obrigatória por lei em vários Estados e municípios brasileiros. 

Para o uso correto de máscaras:

- coloque a máscara cuidadosamente para cobrir a boca e o nariz e amarre com segurança para minimizar as lacunas entre a face e a mascara;

- enquanto estiver em uso, evite tocar na máscara;

- remova a máscara usando a técnica apropriada (ou seja, não tocar na frente, mas remover por trás);

- após a remoção ou sempre que tocar inadvertidamente na máscara usada, higienize as mãos usando produto alcoólico ou água e sabão;

- substituir a máscara descartável por uma nova máscara limpa e seca assim que ficar úmida;

- descarte imediatamente após a remoção, e de forma apropriada, em caso de máscara descartável;

- não reutilize máscaras descartáveis;

- as máscaras são de uso individual, não importa o material utilizado em sua fabricação nem se são descartáveis;

- no caso de máscaras de tecido, devem ter pelo menos duas camadas de pano;

- devem cobrir o nariz e o queixo;

- carregue uma máscara reserva se sair de casa por um período mais longo de tempo, pois é preciso trocá-la quando fica úmida;

- coloque as máscaras de tecido usadas em uma sacola plástica;

- devem ser lavadas com água e sabão ou água sanitária.

O uso da máscara não dispensa a aplicação de outras medidas de prevenção, como o distanciamento social e de higienização.

 

A análise da árvore genética desse vírus indica que ele se originou de morcegos, como a maior parte dos coronavírus, mas ainda não se sabe se o vírus foi transmitido diretamente ou se usou um hospedeiro animal intermediário. Mas o coronavirus que causou a epidemia de SARS tem o morcego como fonte, mas passou a infectar pessoas através de civetas, um tipo de felino. Já o MERS, outro coronavírus de origem de morcego, chegou às pessoas através de camelos.

A transmissão de pessoa para pessoa ocorre por meio de gotículas de saliva expelidas por pessoas contaminadas quando falam, tossem ou espirram, daí a importância do distanciamento de um metro e meio a dois metros. As gotículas também podem se depositar em objetos e superfícies, por isso é fundamental lavar bem e frequentemente as mãos com sabão - o vírus é envolvido por uma espécie de capa de gordura, que é destruída pelo sabão, daí a eficácia da medida. 

A fonte animal do coronavírus 2019 ainda não foi identificada. Isso não significa que você pode pegar o vírus de qualquer animal. Na realidade, tudo indica que o mercado de animais vivos na China tenha sido responsável pelas primeiras infecções humanas relatadas. IMPORTANTE: Para se proteger, ao visitar esse tipo de mercado, evite contato com os animais e com as superfícies onde eles são colocados. O consumo de produtos de origem animal crua ou mal cozida também deve ser evitado. Carne crua, leite ou órgãos de animais devem ser manuseados com cuidado, para evitar a contaminação cruzada com alimentos não cozidos, conforme boas práticas de segurança alimentar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os sintomas começam a aparecer por volta do quinto ou sexto dia após a exposição da pessoa ao vírus, mas pode se desenvolver entre o primeiro e o 14° dias.

Sim, é seguro. A partir do que se sabe sobre outros coronavírus, acredita-se que esse tipo de vírus não sobrevive por muito tempo em objetos, cartas ou pacotes.

Pelo que se sabe até agora, pessoas mais velhas e/ou com condições médicas pré-existentes, como diabetes, câncer, pressão alta e doenças cardíacas e problemas pulmonares, têm mais risco de desenvolver casos mais graves do coronavírus 2019. Em 24 de março, a ONU incluiu fumantes - independente da idade e de terem outro problema de saúde - no grupo de risco. Crianças e adolescentes podem ser infectados e espalhar a doença. Apesar de menos frequente, também casos severos têm sido registrados em ambas as faixas etárias. As medidas de isolamento, em caso de contaminação, e de distanciamento, uso de máscara e higiene se aplicam a todos os grupos.

A vacina da gripe protege o indivíduo apenas para os vírus que causam a gripe (vírus da Influenza) e não protege contra a infecção do novo coronavírus (SARS-CoV-2) ou a doença que ele causa (Covid-19).

É importante que todas as pessoas dos grupos de maior risco para a gripe sejam vacinadas para diminuir a chance de desenvolverem um quadro grave da doença e óbito.

Neste ano, devido a ocorrência da pandemia do novo coronavírus, a ação começa com um mês de antecedência, visando, além de proteger antecipadamente a população mais vulnerável, evitar que o sistema de saúde fique sobrecarregado com casos de influenza, além dos casos de Covid-19.

 

É recomendável que você fique em casa até liberação para tomar a vacina pelo serviço de saúde, evitando que outras pessoas se contaminem com o novo coronavírus.

Em condições experimentais, gatos e furões foram capazes de transmitir infecção a outros animais da mesma espécie, mas não há evidências de que transmissão da doença aos seres humanos e espalhar o vírus. O oposto, no entanto, foi registrado: cães e gatos (gatos domésticos e tigres), em contato com humanos infectados, testaram positivo para Covid-19. Os furões também parecem ser suscetíveis à infecção. 

A OMS recomenda que pessoas doentes com Covid-19 e em risco limitem o contato com os animais, e que adotem medidas básicas de higiene ao fazê-lo. Isso inclui a lavagem das mãos após o manuseio de animais, alimentos ou suprimentos, além de evitar beijos, lambidas ou compartilhamento de alimentos.

 

Nas superfícies, podem ser facilmente limpos com desinfetantes domésticos comuns que matam o vírus. Estudos demonstraram que o vírus Covid-19 pode sobreviver por até 72 horas em plástico e aço inoxidável, menos de quatro horas em cobre e menos de 24 horas em papelão. Como sempre, limpe suas mãos com um pano à base de álcool ou lave-as com água e sabão. Evite tocar nos olhos, na boca ou no nariz.

Não. Atualmente, nenhum estudo em larga escala avaliou se a presença de anticorpos para SARS-CoV-2 confere imunidade a infecções subsequentes por esse vírus em humanos. O desenvolvimento de anticorpos contra um patógeno através de infecção natural é um processo de várias etapas que geralmente ocorre ao longo de uma a duas semanas, mas o processo para desenvolver uma resposta imunológica completa pode ser mais longo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maioria dos estudos com Covid-19 sobre a presença de anticorpos até o momento mostra apenas que as pessoas que se recuperaram da infecção têm anticorpos para o vírus. Algumas dessas pessoas, porém, desenvolveram níveis muito baixos de anticorpos capazes de neutralizar vírus no sangue. Estudo publicado na Nature pela Universidade Médica de Chongqing, comparando 37 pacientes sintomáticos e 37 assintomáticos, demonstrou que os níveis de anticorpos eram mais elevados no primeiro grupo do que no segundo, oito semanas após alta hospitalar, e que descresceram no período de convalescência. A recomendação, portanto, é continuar com as medidas preventivas: distanciamento social, o uso da máscara e os cuidados de higiene. 

Viviane Botosso - Instituto Butantan

Ministério da Saúde

Organização Mundial da Saúde (OMS)

Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC)

Nature

Agência Brasil

BBC

G1

El País